Clube de Xadrez de Blumenau

Fundado em 09 de março de 1917
Declarado de Utilidade Pública pelo Estado de Santa Catarina Dec. Lei número 3897 de 26 de setembro de 1966
e pelo Município de Blumenau Lei nro 1469 de 27 de dezembro de 1967 CGC 82.666.850/0001-98






Colunas
Antonio Bambino Filho
Heidy Almeida


Acredite em Você!


Saudações queridos amigos enxadristas! É com muito orgulho que escrevo minha primeira coluna no CXB.

Agradeço à oportunidade de ter este espaço que, com os amigos Antonio Bambino Filho e MF Renan Levy, levará informações e conhecimentos do meio enxadrístico.

Ao pensar no que escrever em minha primeira coluna, imaginei milhões de ideias. Várias coisas me vieram à mente: conceitos, aberturas, como planejar um treinamento, etc.

Ao mesmo tempo em que pensava: como pode tanta coisa e não consigo escrever uma?

Quero algo bacana, atrativo. É uma nova fase do Clube: o resgate do mesmo, todos motivados, e como fazer com que os nossos leitores, nossos amigos, professores e pais acreditem no xadrez?

Na frente do computador, com uma página em branco aberta, com cara de pensativo, minha namorada em minha frente estudando me olha e pergunta: – O que foi amor?

- Não consigo escrever nada! – respondi. Ela me olha com aquela carinha de quem quer ajudar, porém achando que tudo o que ela falasse eu já iria saber ou poderia parecer besteira, pois como ela poderia me ajudar com xadrez? Ela mal sabe mexer as peças!

Mesmo assim, com uma respirada profunda, toma coragem e solta: - Eu achei um vídeo bem legal de xadrez essa semana, você quer ver?

Eu prontamente respondi que sim, claro que sim, pois antes de qualquer coisa, tanto na vida quanto no xadrez, temos que ter a mente aberta. Existe um ditado que me agrada muito e levo ao pé da letra, que diz “ninguém é tão pequeno que não possa ajudar alguém, e ninguém é tão grande que não possa ser ajudado por alguém”.

Ao ver o vídeo, percebo que se trata do xadrez escolar, um projeto montado em uma escola do ensino médio de Santa Maria – DF, em uma comunidade carente. Lá, o professor relata o começo do projeto, quando os alunos a princípio demonstraram uma certa resistência ao jogo, mas não por não gostarem, e sim por eles mesmos não se julgarem capazes devido à complexidade do xadrez.

Se não conseguem aprender as contas, regras gramaticais e fórmulas que os professores ensinam, como vão aprender a jogar xadrez?

Ao ver este relato logo me veio à mente a imagem da extinta PROMENOR.

Para quem não conheceu PROMENOR, em breves palavras, tratava-se de uma instituição Blumenauense que oferecia oficinas no contra turno escolar para crianças (em sua esmagadora maioria, carentes), que recebiam passe, alimentação e as oficinas.

A idéia era ocupação e erradicação do trabalho infantil e por um período de quatro anos dei aula de xadrez nessa instituição. Presenciei a mesma resistência que o professor relatava, os alunos se julgavam “incapazes”.

Não posso dizer que no tempo que estive lá criamos um campeão mundial, brasileiro ou estadual, mesmo porque isso leva tempo, muita disciplina e oportunidades. Mas ninguém pode dizer que aquelas crianças não aprenderam a jogar xadrez, que não tiveram destaque nas competições municipais, passando a competir por medalhas.

Bem amigos, nessa primeira coluna não quis falar de nada técnico, ou dos valores que o xadrez desenvolve, nem dos bens do xadrez escolar para o desenvolvimento cognitivo do aluno. A mensagem que tento transmitir é a de que antes de mais nada acredite em você, “nunca deixe ninguém dizer que não pode fazer alguma coisa." "..as pessoas não conseguem vencer e dizem que você também não vai vencer." (Cena Filme: A procura da felicidade. Will Smith ).

Abaixo segue link do vídeo do Projeto de Santa Maria – DF e o link da cena do filme mencionado. O vídeo de Santa Maria tem uns 50 minutos, mas os primeiros 15 já resumem tudo. Além da questão motivacional, aborda também questões de interdisciplinaridade e valores que se pode trabalhar com o xadrez na escola.

Grato, e até a próxima!

Projeto Santa Maria (Necessário Download)

A Procura da Felicidade

Heidy José Moreira de Almeida joga xadrez há mais de 15 anos, dos quais 10 destes é professor. Formado em Educação Física, começou no xadrez, como muitos dos grandes talentos de Blumenau, através do projeto Ceval de Xadrez nas Escolas, quando estudava no CAIC. Atualmente faz parte da equipe de Jogos Abertos da cidade e é um dos maiores responsáveis pelo surgimento de grandes talentos em escolas públicas de Blumenau.