Clube de Xadrez de Blumenau

Fundado em 09 de março de 1917
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Colunas
Antonio Bambino Filho
Heidy Almeida


Seleção de Lances


À medida que vamos evoluindo no xadrez, a prática de seleção de lances passa a ser cada vez mais importante.

Selecionar lances é, basicamente, eleger de 2 a 3 lances possíveis em momentos críticos que devem ser analisados, como me foi explicado pelo meu ex-técnico e amigo MF Renan Levy da Costa. Isso significa que, mesmo que um lance pareça óbvio, pelo menos mais um ou dois outros devem ser examinados e devidamente aprofundados, pois podemos acabar achando lances bem melhores do que o primeiro que analisamos.

Bonito na teoria, penoso na prática.

Penoso, pois possuímos vícios e instintivamente procuramos por padrões estéticos no tabuleiro. Peças alinhadas de forma “simétrica”, que nos tragam conforto e pareçam harmoniosas nos fazem descartar – ou muitas vezes nem cogitar – lances bons que possam ferir tais padrões.

E algumas vezes estamos tão fixos em um lance que, ao analisar outros dois, não o fazemos de forma crítica e logo no primeiro princípio de furo, deixamos de lado pois reforça a ideia de jogar o lance inicial.

Quanto mais partidas você joga, mais posições diferentes vê – defensivas ou agressivas, fechadas ou abertas, tensas ou secas. Logo, você visualiza as exceções e, consequentemente, incorpora novos padrões às suas análises.

Então devo fazer uma seleção de lances em toda jogada?

NÃO!

A menos que você queira passar semanas jogando uma mesma partida. O conceito de seleção de lances está bastante amarrado ao tempo de reflexão do jogador. Quanto mais tempo tenho, mais posso me aprofundar em lances diferentes, “podar” a árvore de análises de respostas possíveis do meu adversário e me decidir por qual caminho devo seguir.

O momento que exige mais tempo na seleção de lances é o chamado MOMENTO CRÍTICO, que é aquele em que uma decisão tomada fará a diferença para o resto da partida e um erro, tanto de cálculo quanto de planejamento, pode ser fatal.

O momento crítico é muito intuitivo e será determinado pela experiência e prática, como diz Kasparov em seu excelente livro “Xeque-mate: a vida é um jogo de xadrez”. Só a prática e o estudo nos darão essa bagagem.

Por isso, fechar bem suas variantes de abertura é importante para que não perca tempo calculando na hora da partida lances que já foram testados e analisados – esse é um trabalho caseiro. Se você chega para a partida com suas linhas fechadas, perde menos tempo na abertura e lhe sobra mais para gastar na seleção de lances nos momentos mais críticos da partida, quando vai decidir o curso geral do jogo.

Além do mais, ao escolher as aberturas, pode-se analisar as posições críticas mais comuns resultantes da mesma. Geralmente, partidas analisadas e comentadas por Grandes Mestres podem ser uma boa dica!

Além do livro citado do Kasparov, recomendo a trilogia do Kotov, Pense, Treine e Jogue como um grande mestre, que fala bastante sobre o assunto.

Um abraço!


Antonio Carlos Bambino Filho (ELO: 2175) joga xadrez há mais de 10 anos. Trabalha com redes de computadores (formado em Ciência da Computação, pós-graduando em Engenheria de Software) e dá aulas particulares de xadrez por Skype ( nome Skype: antoniobambinofilho ). Campeão brasileiro sub-18 em 2006, bi-campeão catarinense sub-20 em 2008/09. Campeão do Circuito Catarinense Adulto em 2007.